quinta-feira, 18 de junho de 2015

UMA MOSCA GREGA NA SOPA EUROPEIA...

Opinião

Uma mosca grega na sopa europeia


Com esta frase Paul Mason terminava o seu apontamento para o Channel4 inglês sobre a situação na Grécia. Aliás, de repente, todos têm analogias para a Grécia, há quem fale de moscas e há quem fale de cirrose, o que não é nada tranquilizante pois pode querer dizer que a Europa é alcoólica.
Todos os que exercem poder na Europa parecem preferir que a Grécia desapareça, pois tudo seria certamente mais simples sem esta grande "chatice" que é ter um "problema grego" – até há quem designe o país como cirrose, levando a questionar se a Grécia é o fígado da Europa e levando a concluir que a Europa é alcoólica em último grau e que, portanto, ou faz uma cura forçada, um transplante imediato ou morre.
Mas também o cidadão normal parece contagiado por sentir que é necessário ter uma opinião sobre a Grécia. "Eles que saiam", li num comentário num jornal online, outros dizem no Facebook  "não vou pagar reformas aos 55 anos quando aqui já vamos nos sessentas".
No fim de contas, como sempre, há desinformação a rodos, lançada pelos próprios intervenientes e muitas vezes mesmo por aqueles que deveriam zelar pela normalidade, isto é, os próprios governantes dos países Europeus e altos funcionários da Comissão.
Nestas negociações não há inocentes em lado nenhum, as posições estão polarizadas e há uma luta a ganhar e ou ganha a Grécia ou ganham os que se lhe opõem. Mas será mesmo assim? Talvez seja mais complicado do que isso.
À primeira vista tudo parece muito claro, há um país que se endividou brutalmente e portanto tem de ser responsabilizado e pagar. Certo? Talvez não. Indo por partes do geral para o particular.
Há várias lutas políticas em campo e depois há a população grega. Não quero dizer que a Grécia é o equivalente à Espanha de 1936 porque é forte demais, mas no campo das ideias talvez seja um bom ponto de partida para fazer um reset à espuma dos dias e ir mais fundo, onde está o que interessa para compreender o que está em jogo.
Em 1936 na Guerra Civil espanhola opunham-se duas forças no terreno, com aliados estrangeiros extremistas presentes em cada lado à direita e à esquerda e outros ausentes, como as democracias europeias. Escolho a Guerra Civil Espanhola porque foi definidora da evolução política dos anos seguintes na Europa tal como me parece que será a Grécia hoje.
Em 2015 não temos guerra com armas na Grécia (ou pelo menos ainda não a temos), mas temos uma guerra de palavras em curso entre duas posições extremadas, a do Syriza e a dos partidos que governaram antes dele (direita e esquerda, Nova Democracia e PASOK e todos os que se formaram após a sua desintegração).
Não vale a pena perder muito tempo com esta parte da história, pois após sete anos de austeridade em Portugal e na Europa toda a gente já teve tempo de escolher lados e assumir-se como Austeritário e apoiar governos que professam essas políticas ou assumir-se como não Austeritário e estar do lado dos que acham que a política deve ser de crescimento e ter austeridade quanto baste.
No entanto, porque o governo grego resolveu desafiar tudo o que se assumiu como correcto de ser feito sob a bandeira da austeridade ao nível político europeu e também na Itália, Espanha, Portugal e Irlanda, estamos realmente num momento definidor. Ou se começa de novo e se faz um mea culpa parcial, iniciando-se um novo período ou se continuará em frente para o ano sete da era da euro-austeridade.
Hoje estamos já num local muito distante da discussão sobre quem teve a culpa da crise ter surgido, se os governantes, se os bancos, se outra coisa qualquer. Neste momento essa é uma discussão que perdeu relevância, o que se está a discutir é se a solução maioritariamente adoptada na zona euro para lidar com a crise deve ou não continuar a ser a austeridade só por si.
A questão central é que os actuais governos alemão, português ou espanhol, os partidos que fazem parte de coligações no governo na Holanda e Finlândia, bem como ex-governantes nacionais, agora nas instituições europeias, têm bastante a perder se a base da sua política for colocada em causa de forma abrupta com uma qualquer viragem política rápida na Grécia – tanto mais que há eleições ainda a serem feitas em Portugal e Espanha este ano.
Por outro lado, toda a gente já percebeu que instituições como o FMI estão obsoletas, pois não estão estruturadas para lidar com países com moeda única. O que aconteceu durante as troikas foi um exercício de incompetência atroz por parte de executantes que não detinham o saber necessário para lidar com um fenómeno com o qual não se haviam antes confrontado. Uma vez largados no terreno apenas lhes restava continuar em frente para não perder a face.

2 comentários:

  1. O MFI, mafiosa organização,
    por nada pretende desarmar
    melhor será a Grécia abandonar
    essa que tem de tudo, menos união?

    Esta é a minha opinião,
    cada um como quiser que pense
    eles não se importam do povo ficar sem pão
    porque o explorador o que faz não sente!

    Toma lá um abraço e fica contente!

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  2. Não nos preocupemos, pke ambas as partes vão encontrar uma solução, só k o "Xipras" vai faltar ao k prometeu. Os credores são mto sensatos e têm tido uma paciência de Jó. Evidente k "sismos", agora, não interessa a nenhuma das partes.
    Não tenho visto o Burberry. Só o "colarinho branco" dá a cara.

    Dias felizes!

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