quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

BOCAGE NA PRISÃO...



[SONETO DO EPITAPHIO]

La quando em mim perder a humanidade
Mais um daquelles, que não fazem falta,
Verbi-gratia — o theologo, o peralta,
Algum duque, ou marquez, ou conde, ou frade:

Não quero funeral communidade,
Que engrole "sub-venites" em voz alta;
Pingados gattarrões, gente de malta,
Eu tambem vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada edosa
Sepulchro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitaphio mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro".

1 comentário:

  1. A «Maria das Dores»!
    quando eras fuzileiro
    combateste pela paz
    não foi um dos teus amores
    dá pontapé no traseiro
    da dor que falta não faz!

    Não foi o Bocage, fui eu,
    que escreveu estas palavras
    pela dor que já desapareceu
    não se derramam mais lágrimas!

    Que estejas melhor do esqueleto,
    desejo-te eu que sim
    prepara um frango assado no espeto
    para dar uma ajuda, não te esqueça de mim!

    Bom domingo, um abraço,
    Eduardo.

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