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sábado, 3 de agosto de 2013

CAÇA AOS FUGITIVOS...

Esta corja tem de ser julgada.

O Gaspar não pode simplesmente ir-se embora.

Penso que não írá ser bonito mas julgo que já se está muito próximo da
abertura da caça ao COELHO, bem como a outras aves de rapina.

Esta operação, pressinto que seja para a Segurança Social comprar dívida
pública em posse dos bancos portugueses, em mercado secundário, e que em
caso do previsível perdão de dívida, entre 30 e 40%, passará os prejuízos da
banca para os reformados.

Estamos perante uma corja, que visa o corte das reformas para salvar os
bancos que estão na origem da crise.

Opinião

Tiro de misericórdia

Fernando Dacosta

No último dia como ministro das Finanças, Vítor Gaspar assinou um decreto
que pode liquidar a vida de, pelo menos, 3 milhões de portugueses. Esse
decreto determina que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança
Social (que geria uma carteira de 10 mil milhões de euros) "terá de adquirir
4,5 mil milhões de euros de dívida soberana".

Sabendo-se que o referido fundo foi criado como reserva para assegurar, em
caso de colapso do Estado, os direitos dos reformados, pensionistas,
desempregados e afins durante dois anos (segundo o articulado de lei de
bases), o golpe em perspectiva representa o risco de uma descomunal tragédia
entre nós.

Lembremos que dos rendimentos dos seniores vivem hoje gerações de filhos e
netos seus, sem emprego, sem recursos, sem amparo, sem futuro. Lembremos
ainda que os últimos governos têm sido useiros no desvio de verbas da
Segurança Social para pagamentos de despesas correntes - "o que qualquer
medíocre gestor de fundos sabe que não se deve fazer", comenta, a propósito,
Nicolau Santos no "Expresso".

Em 2010, dos 223,4 milhões de euros que deviam ser transferidos para o fundo
em causa, o executivo apenas entregou 1,3 milhões.

Após ter semidestruído Portugal economicamente, socialmente, familiarmente,
psicologicamente, com total impunidade e arrogância, Vítor Gaspar deixa, ao
escapar-se, apontado um tiro de misericórdia aos idosos (e não só), depois
de os ter desgraçado com o seu implacável autismo governamental. Sindicatos,
partidos, oposições, igrejas, comentadores, economistas, intelectuais
meteram, por sua vez, a viola no saco ante mais esta infâmia - entretanto,
os papagaios de serviço aterrorizam as populações com a insustentabilidade
da Segurança Social.


Jornal i 2013-07-25

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