CAMINHADA DO PAI NATAL!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

QUADRAS DE ANTÓNIO ALEIXO...


Quadras
Quando não tenhas à mão
Outro livro mais distinto,
Lê estes versos que são
Filhos das mágoas que sinto.

Julgam-me mui sabedor;
E é tam grande o meu saber
Que desconheço o valor
Das quadras que sei fazer!

Compreendo que envelheci
E que já daqui não passo,
Como não passam daqui
As pobres quadras que faço.

Vai-se uma luz, outra existe,
Nova aurora nos seduz;
Deve ser muito mais triste
A gente deixar a luz.

Tal qual me sucede a mim:
Sem ter vulto, sem ter voz,
Vive qualquer coisa em nós
Que manda fazer assim.

Quem me vê dirá: não presta,
Nem mesmo quando lhe fale,
Porque ninguém traz na testa
O selo de quanto vale.

Sou humilde, sou modesto;
Mas, entre gente ilustrada,
Talvez me digam que eu presto,
Porque não presto p'ra nada.

Meu aspecto te enganou;
O que a gente é não se vê;
Pergunta a outrem quem sou,
Pois o que sou nem eu sei.

Se pedir, peço cantando,
Sou mais atendido assim;
Porque, se pedir chorando,
Ninguém tem pena de mim.

Peço às altas competências
Perdão, porque mal sei ler,
p'ra aquelas deficiências
Que os meus versos possam ter.

           ((

1 comentário:

  1. Quando mágoas sentires
    Tenta delas te esquecer
    O chapéu da cabeças não tires
    Para a careca não se ver.

    Se fores muito sabedor
    Ensina o governo a governar
    Diz ao engenheiro e o doutor
    Como devem trabalhar!

    Vai-se uma luz outra existe
    Não a deixes apagar
    Luta com esperança, não fiques triste
    Não desistas até lá chegar!

    Sou humilde, sou modesto
    Sou sincero alentejano
    Contra este governo protesto
    Votei nele por engano!

    Não sou magano
    Sou sincero
    Votei nele por engano
    Quem me mandou ser honesto!

    Boa terça-feira para ti, amigo António
    um abraço
    Eduardo.

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