quarta-feira, 16 de maio de 2012

Merkel e Hollande seguram Grécia à beira do “pânico”


Merkel e Hollande seguram Grécia à beira do “pânico”

Merkel e Hollande seguram Grécia à beira do “pânico”
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Rainer Jensen, EPA

Trabalhar para manter o euro a circular na Grécia é por agora o único propósito comum assumido em público por François Hollande e Angela Merkel, que estiveram ontem reunidos em Berlim numa primeira cimeira bilateral. Quanto às políticas de crescimento desejadas pelo novo Presidente francês, a chanceler alemã afirma que há “pontos de acordo” e “sinais de divergência”. Em Atenas, após o colapso das negociações para a formação de um governo, que dará lugar a novas eleições, há agora um aviso do Presidente Karolos Papoulias para uma possível vaga de “pânico” na banca. No início da semana, os levantamentos de depósitos dos bancos gregos perfizeram 700 milhões de euros.

“Queremos que a Grécia permaneça na Zona Euro”, afiançou a chanceler alemã, Angela Merkel, no termo do primeiro encontro com o novo Presidente francês. “Desejo, como a senhora Merkel, que a Grécia permaneça na Zona Euro”, reforçou François Hollande, que rumou a Berlim poucas horas depois de ter tomado posse.A primeira deslocação de François Hollande a Berlim ficou marcada por um incidente. O avião do Presidente francês foi atingido por um raio e regressou a Paris.

Com um atraso de uma hora, Hollande viajaria para a Alemanha a bordo de um segundo aparelho.

Angela Merkel recebeu o interlocutor francês com honras militares. E ironizou sobre o contratempo: “É talvez um bom presságio para a cooperação”.

De resto a frieza foi indisfarçável, em contraste com o que acontecia nos encontros com Nicolas Sarkozy. “Aperto de mão em vez de beijos” era esta quarta-feira um dos títulos da edição online da publicação Der Spiegel.


Para já, o compromisso da governante alemã e do novo inquilino do Palácio do Eliseu para com os gregos não vai além da reflexão sobre “medidas de crescimento” a implementar em Atenas. E sobre tudo o resto nenhum dos dois dirigentes foi capaz – ou quis - mitigar por completo as divergências de fundo que os separam.

Merkel foi quem melhor resumiu o ambiente do início da coabitação de uma conservadora e de um socialista no eixo franco-alemão: há “pontos de acordo”, mas há também “sinais de divergências” e o crescimento é um “conceito geral”.

Hollande, que quer elevar o crescimento económico à condição de tarefa prioritária das instituições europeias, a par da disciplina nas contas públicas, disse estar “pronto a colocar tudo sobre a mesa” no próximo Conselho Europeu, a 23 de maio. Incluindo a defesa da emissão de eurobonds , uma solução de que Angela Merkel não quererá ouvir falar. Reiterou ainda a vontade de ressuscitar a discussão do tratado orçamental aprovado em março por 25 dos 27 países-membros da União Europeia. A ideia é temperar a austeridade com impulsos às economias. A fórmula está por definir.

“O método que acertámos consiste em submeter todas as ideias, todas as propostas, e ver em seguida quais são as traduções jurídicas para colocá-las em prática”, explicou o Chefe de Estado francês.

Uma única cimeira bilateral seria sempre insuficiente para aproximar Merkel e Hollande. Onde o sucessor de Nicolas Sarkozy vê espaço para tratar do crescimento, com medidas como o financiamento de grandes projetos públicos, a chanceler alemã só encontra justificações para preservas as políticas de rigor orçamental e as reformas estruturais, a começar pelos mercados de trabalho.
“Uma saída ordenada”
No que à crise grega diz respeito, as declarações de Merkel e Hollande foram precedidas pelo discurso oficial alinhavado na noite de segunda-feira pelos ministros das Finanças dos países da união monetária. No termo de uma prolongada reunião em Bruxelas, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, adiantara que “a possibilidade de a Grécia sair da Zona Euro” não fora sequer “objeto de discussão”. O primeiro-ministro luxemburguês foi mesmo ao ponto de censurar “a forma como alguns ameaçam a Grécia dia após dia”.

A expensas da vontade de Juncker, são cada vez mais audíveis as vozes institucionais que mantêm acesa a discussão sobre o cenário de uma Zona Euro sem a Grécia. A última dessas vozes emanou de um dos pilares da troika. Em entrevista à estação televisiva France 24, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, admitia ontem a hipótese de uma “saída ordenada”.

“Se os compromissos não viessem a ser respeitados, há revisões apropriadas a fazer e isso quer dizer financiamentos suplementares e tempo suplementar, ou mecanismos de saída, que deveria ser uma saída ordenada, neste caso”, sustentou a responsável, reconhecendo que um tal desfecho “seria extraordinariamente custoso e apresentaria grandes riscos”. “Mas isso faz parte das opções que estamos obrigados a ter em conta tecnicamente”, insistiu.

“Eles fizeram reformas importantes, fizeram um certo número de sacrifícios. Hoje, mandar tudo passear por causa de um desacordo político profundo é verdadeiramente muito penalizador para o povo grego. Espero que seja encontrada uma solução de compromisso que permita avançar no respeito de um programa que, certamente, estaremos abertos a analisar à margem, não no fundamental”, concluiu Lagarde.
“Pânico”
À indefinição política soma-se, segundo o Presidente da Grécia, o risco de “pânico” no sistema bancário. O aviso de Karolos Papoulias era ontem reproduzido numa transcrição das atas das reuniões com os partidos divulgada pelo seu gabinete. A justificar a preocupação estão os números relativos aos levantamentos de depósitos dos bancos gregos, que, na segunda-feira, véspera da derradeira ronda de negociações, atingiram os 700 milhões de euros.

Papoulias revelou ter recebido do governador do Banco da Grécia, George Provopoulos, a indicação de que “a situação dos bancos” era “muito difícil” e de que todo o sistema estava “muito débil”. Os levantamentos bancários, assinalou o Presidente grego, “atingiram a soma de 700 milhões de euros até às 16h00 de segunda-feira”. Dinheiro que está a ser canalizado para a dívida alemã.

Antecipando que esta situação venha a ser “pior nos próximos dias”, Karolos Papoulias voltaria a citar o governador do Banco da Grécia: “O senhor Provopoulos disse-me que é claro que não há pânico, mas há um grande receio que se pode transformar em pânico”.
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2 comentários:

  1. Eles querem que a Grécia permaneça no Euro. Mas a Grécia não aceita as condições impostas!
    Eu, penso que é preciso dizer não a essas medidas!
    E será a Grécia o primeiro país, a dizer não?
    Porque, a Europa (União Europeia) assim não pode continuar. É tudo menos uma união!
    Orientada apenas por um país com uma triste história, ainda, não muito distante. Que o seu líder nessa época pensou ser possível conquistar o mundo inteiro através da repressão.
    Cuja líder desse país, continua pensando, se a deixarem claro, conquistar a Europa, e ser ela a única a ditar as regras, para que os restantes as cumpram. Mesmo que para isso tenham que morrer milhares ou milhões de pessoas à fome!

    Boa quarta-feira,
    um abraço
    Eduardo.

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  2. Tens toda a razão, Amigo Eduardo, o nosso povo também, quando diz:"Quem nasce torto tarde ou nunca se endireita" e foi o caso da des/UE" 1ºfoi esbanjar dinheiro pelos países mais carenciados, sem uma fiscalização rigorosa da aplicação desse dinheiro e nestas condições, se os países eram pobres, mais pobres ficaram, depois metem dois países a impor austeridade atabalhoada aos pobres que já têm água pelo pescoço, eu pergunto! Que merda de união é esta? Em que o desemprego aumenta todos os dias e o blá, blá, blá, não passa do mesmo, a ver vamos mas está a vir aqui um cheiro horrível a revoltas sociais!
    O meu abraço

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