quinta-feira, 31 de maio de 2012

BAILE DE CARNAVAL!

Um indivíduo chega à porta de um baile de máscaras, com as duas mãos a tapar o pénis. À porta, o porteiro pergunta muito admirado: - Você vem mascarado de quê? - De provérbio! - De provérbio?? - Sim, homem; Mais vale um na mão que dois a voar!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

PORTUGAL VISTO POR LOBO ANTUNES


Portugal visto por Lobo Antunes
·  Um escritor genial, um retrato demolidor da " Nação valente e imortal". Façam o favor de ler.

Portugal visto por Lobo Antunes

 

Nação valente e imortal

Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.
Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia,o senhor Dias Loureiroo senhor Jorge Coelho,coitadosNão há um único que não esteja na franja da miséria. Um único.Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender.Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.
As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.
Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.
Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha deperseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar.
Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vendee, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever.E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
(crónica satírica de António Lobo Antunes, in visão abril 2012)


segunda-feira, 28 de maio de 2012

O PARLAMENTO, FONTE DE CORRUPÇÃO...!

Não tenho necessidade de falar, Paulo Morais fala por todos os portugueses, vamos ouvi-lo porque está cheio de razão!

domingo, 27 de maio de 2012

MENU DE LUXO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA!


Menu de luxo na Assembleia da República
Perdiz, porco preto alimentado a bolota e lebre são alguns dos produtos exigidos pelo Caderno de Encargos do concurso público para fornecer refeições e explorar as cafetarias do Parlamento.
·          Das exigências para a confecção das ementas de deputados e funcionários constam ainda pratos com bacalhau do Atlântico, pombo torcaz e rola, de acordo com o documento a que o CM teve ontem acesso. O café a fornecer deverá ser de "1ª qualidade" e os candidatos ao concurso têm ainda de oferecer quatro opções de whisky de 20 anos e oito de licores. No vinho, são exigidas 12 variedades de Verde e 15 de tintos alentejanos e do Douro.
É também especificado que o mesmo prato não deve ser repetido num prazo de duas semanas. O Caderno de Encargos do concurso, que termina em Junho, estabelece que a qualidade dos produtos vale 50%, o preço 30% e a manutenção 20%.
Num BLOG de um amigo, ao fazer a minha caminhada matinal, eu vi, li e achei que o máximo de portugueses devia ter conhecimento desta aberração política, num país em que se pede austeridade, contenção nas despesas aos portugueses, num país que faz sacrifícios, como deixarem de estudar por não terem dinheiro para pagar propinas, idosos morrerem por não terem dinheiro para medicamentos, perante uma estupidez deste tamanho, só posso dizer: Portugueses e Portuguesas, ACORDEM!...

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A PROFESSORA, A FLOR E OS ALUNOS DO SÉCULO XXI


ANEDOTA NAS AULAS

Numa escola de betos pergunta a professora: - António, diz-me uma flor começada por 'R'. - Rosa! - Diz o António. - Ai! É óptimo, é óptimo, é óptimo. João, diz-me uma flor começada por 'C'. - Cravo! - Diz o João. Ai! É óptimo, é óptimo, é óptimo. - Zezinho, diz-me uma flor começada por 'O'. - Hum, ...orgasmo! - Diz o Zezinho. - Orgasmo?! Mas orgasmo não é uma flor! - Mas é óptimo, é óptimo, é óptimo...

O ADJUNTO JÁ FOI!


O adjunto do ministro Miguel Relvas, Adelino Cunha, demitiu-se, avança a revista Sábado. Segundo a revista, Adelino Cunha, antigo jornalista, apresentou a demissão após ser confrontado pela Sábado com o facto de o Ministério Público (MP) ter encontrado mensagens trocadas com o ex-director do SIED, Jorge Silva Carvalho.

A revista refere que, entre 8 e 15 de Setembro do ano passado, Adelino Cunha e Silva Carvalho combinaram falar através de telefone fixo e agendaram um encontro para beber um café no Hotel Tivoli.
À Sábado, Adelino Cunha revelou ter se demitido. ««Apresentei o pedido de demissão, que o Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares aceitou», disse.
«Conheci o Dr. Jorge Silva Carvalho antes de ter sido nomeado adjunto político do Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares e mantive, por minha iniciativa, contactos durante o período em que exerci funções», explicou Adelino Cunha à revista.
«Em Setembro de 2011, o Dr. Jorge Silva Carvalho manifestou a sua indignação pelo facto de um envelope que lhe fora enviado pela Assembleia da República ter sido alegadamente violado. A título pessoal, contactei antigos colegas jornalistas alertando-os para esse facto. Informei-o também sobre os rumores que corriam na Assembleia da República sobre o alegado conteúdo dos documentos», acrescentou, justificando os contactos realizados entre ambos.
Questionado pela revista sobre os contactos entre Adelino Cunha e Silva Carvalho, Miguel Relvas declarou que «quanto às sms’s do meu Adjunto, Dr. Adelino Cunha, nada mais tenho a acrescentar ao que foi dito pelo próprio».

quinta-feira, 24 de maio de 2012

MIGUEL RELVAS À DEFESA!


O ministro Miguel Relvas negou nesta quinta-feira de manhã, na ERC, ter feito ameaças à jornalista do PÚBLICO que tem escrito sobre as "secretas" e disse que é ele próprio quem se sente pressionado por o jornal lhe ter dado 32 minutos para responder a uma pergunta.
Miguel Relvas esteve a ser ouvido, a seu pedido, pelo Conselho Regulador da Entidade Reguladora da Comunicação Social e no final, numa declaração à comunicação social, garantiu que nunca fez “pressões políticas”. “Não conheço a jornalista em causa, nunca falei com a jornalista em causa e não tenho conhecimentos sobre aspectos da vida pessoal da jornalista. Seria mau se isso acontecesse em Portugal”, vincou.

O ministro reconheceu que telefonou à editora de política do PÚBLICO depois de ter recebido uma pergunta da jornalista Maria José Oliveira à qual tinha “que responder em 32 minutos”. Questão para a qual, na sua opinião, “não existe urgência nem actualidade”.

“Liguei e disse: continuando a haver comportamento como este, tenho o direito de apresentar uma queixa na ERC, nos tribunais e de eu, pessoalmente, deixar de falar com o PÚBLICO.” Segundo o ministro, quando a directora do jornal, Bárbara Reis, lhe ligou a protestar “sobre o tom com que falara com a editora”, respondeu que: “Se tinha sido indelicado, pedia desculpa, sobre o tom e não sobre a matéria.”

Realçando que “de um lado há factos, do outro não existem factos”, o ministro referiu-se várias vezes à sua carreira política para realçar a boa relação com os jornalistas. “Não é ao fim de 20 anos que aparecerá alguém, sem provas, sem factos, a dizer que eu pressionei. Quem me conhece sabe que essa não é a minha atitude.”

Sobre o ex-director das "secretas", Jorge Silva Carvalho, Miguel Relvas garantiu que só o conheceu depois de Abril de 2010. “Disse-o e reafirmo-o.” Sobre o facto de se ter referido no Parlamento a uma notícia que dataria de 2007 e que contradizia esta questão, Miguel Relvas disse hoje que usou a notícia sobre a visita de George W. Bush ao México “apenas como exemplo do que era o clipping (resenha de imprensa)”. “É a minha palavra, quem tiver outra prova que apresente.”

Questionado sobre se está disponível para ir à Assembleia da República esclarecer os deputados, tal como fez no caso das "secretas", em que se ofereceu para essa audição, Miguel Relvas respondeu que “um membro do Governo está sempre disponível para ir ao Parlamento”. Mas esquivou-se a responder se considera que, depois de ter sido citado já por três vezes em casos de alegada pressão sobre a comunicação social – além deste, os episódios da crónica de Pedro Rosa Mendes na Antena 1 e do telefonema para o presidente da RTP sobre a contratação de Paulo Futre -, mantém condições para continuar no Governo.

terça-feira, 22 de maio de 2012

MSC DIVINA EM LISBOA


Cruzeiros
Lisboa recebeu navio MSC Divina com festa
O porto de Lisboa recebeu, ontem, o MSC Divina, o 12º navio da frota da MSC Cruzeiros. O navio, com capacidade para 4.345 passageiros, atracou no Terminal de Passageiros de Santa Apolónia. À sua espera estava uma cerimónia, que inclui a já habitual troca de placas, entre o Comandante do navio, Giuliano Bossi e as autoridades portuárias de Lisboa. No terminal, o navio “foi recebido ao som dos melhores êxitos musicais dos anos 50/60, recriados pela banda The Lucky Duckies, num cenário inspirado na sua madrinha, a deusa do cinema italiano e madrinha da frota MSC Cruzeiros, Sophia Loren”, avançou o porto de Lisboa.
O MSC Divina continuará viagem até Marselha, tendo pelo meio paragens programadas por Cádis, Gibraltar e Valência. Será, no entanto, em Marselha que decorrerá a cerimónia de batismo, a realizar-se a 26 de maio na presença de Sophia Loren.
por: Andreia Amaral

domingo, 20 de maio de 2012

TAÇA DE PORTUGAL A CAMINHO DE COIMBRA

O Catedrático Pedro Emanuel e os seus estudantes, foram ao Jamor dar uma lição de futebol ao favorito Sporting, estão de parabéns e graças ao golo de Marinho a taça vem para Coimbra, jogaram melhor e por isso passaram no exame com distinção.

LEILÃO TROYKANO

quinta-feira, 17 de maio de 2012

PAI....QUEM FOI SALAZAR?

 -Pai....quem foi Salazar?
 
-
 Foi um Senhor que pôs correntes ao povo português durante 40 anos.
       
- Ó Pai.... e o Mário Soares, quem é?
       
-
 Esse, meu filho, foi o homem que tirou as correntes ao povo português.
       
- Ó Pai....e o que são as correntes?
       
-
 Era aquela coisa de ouro que o teu avô trazia e usava no colete para  segurar o relógio!......

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Merkel e Hollande seguram Grécia à beira do “pânico”


Merkel e Hollande seguram Grécia à beira do “pânico”

Merkel e Hollande seguram Grécia à beira do “pânico”
legenda da imagem
Rainer Jensen, EPA

Trabalhar para manter o euro a circular na Grécia é por agora o único propósito comum assumido em público por François Hollande e Angela Merkel, que estiveram ontem reunidos em Berlim numa primeira cimeira bilateral. Quanto às políticas de crescimento desejadas pelo novo Presidente francês, a chanceler alemã afirma que há “pontos de acordo” e “sinais de divergência”. Em Atenas, após o colapso das negociações para a formação de um governo, que dará lugar a novas eleições, há agora um aviso do Presidente Karolos Papoulias para uma possível vaga de “pânico” na banca. No início da semana, os levantamentos de depósitos dos bancos gregos perfizeram 700 milhões de euros.

“Queremos que a Grécia permaneça na Zona Euro”, afiançou a chanceler alemã, Angela Merkel, no termo do primeiro encontro com o novo Presidente francês. “Desejo, como a senhora Merkel, que a Grécia permaneça na Zona Euro”, reforçou François Hollande, que rumou a Berlim poucas horas depois de ter tomado posse.A primeira deslocação de François Hollande a Berlim ficou marcada por um incidente. O avião do Presidente francês foi atingido por um raio e regressou a Paris.

Com um atraso de uma hora, Hollande viajaria para a Alemanha a bordo de um segundo aparelho.

Angela Merkel recebeu o interlocutor francês com honras militares. E ironizou sobre o contratempo: “É talvez um bom presságio para a cooperação”.

De resto a frieza foi indisfarçável, em contraste com o que acontecia nos encontros com Nicolas Sarkozy. “Aperto de mão em vez de beijos” era esta quarta-feira um dos títulos da edição online da publicação Der Spiegel.


Para já, o compromisso da governante alemã e do novo inquilino do Palácio do Eliseu para com os gregos não vai além da reflexão sobre “medidas de crescimento” a implementar em Atenas. E sobre tudo o resto nenhum dos dois dirigentes foi capaz – ou quis - mitigar por completo as divergências de fundo que os separam.

Merkel foi quem melhor resumiu o ambiente do início da coabitação de uma conservadora e de um socialista no eixo franco-alemão: há “pontos de acordo”, mas há também “sinais de divergências” e o crescimento é um “conceito geral”.

Hollande, que quer elevar o crescimento económico à condição de tarefa prioritária das instituições europeias, a par da disciplina nas contas públicas, disse estar “pronto a colocar tudo sobre a mesa” no próximo Conselho Europeu, a 23 de maio. Incluindo a defesa da emissão de eurobonds , uma solução de que Angela Merkel não quererá ouvir falar. Reiterou ainda a vontade de ressuscitar a discussão do tratado orçamental aprovado em março por 25 dos 27 países-membros da União Europeia. A ideia é temperar a austeridade com impulsos às economias. A fórmula está por definir.

“O método que acertámos consiste em submeter todas as ideias, todas as propostas, e ver em seguida quais são as traduções jurídicas para colocá-las em prática”, explicou o Chefe de Estado francês.

Uma única cimeira bilateral seria sempre insuficiente para aproximar Merkel e Hollande. Onde o sucessor de Nicolas Sarkozy vê espaço para tratar do crescimento, com medidas como o financiamento de grandes projetos públicos, a chanceler alemã só encontra justificações para preservas as políticas de rigor orçamental e as reformas estruturais, a começar pelos mercados de trabalho.
“Uma saída ordenada”
No que à crise grega diz respeito, as declarações de Merkel e Hollande foram precedidas pelo discurso oficial alinhavado na noite de segunda-feira pelos ministros das Finanças dos países da união monetária. No termo de uma prolongada reunião em Bruxelas, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, adiantara que “a possibilidade de a Grécia sair da Zona Euro” não fora sequer “objeto de discussão”. O primeiro-ministro luxemburguês foi mesmo ao ponto de censurar “a forma como alguns ameaçam a Grécia dia após dia”.

A expensas da vontade de Juncker, são cada vez mais audíveis as vozes institucionais que mantêm acesa a discussão sobre o cenário de uma Zona Euro sem a Grécia. A última dessas vozes emanou de um dos pilares da troika. Em entrevista à estação televisiva France 24, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, admitia ontem a hipótese de uma “saída ordenada”.

“Se os compromissos não viessem a ser respeitados, há revisões apropriadas a fazer e isso quer dizer financiamentos suplementares e tempo suplementar, ou mecanismos de saída, que deveria ser uma saída ordenada, neste caso”, sustentou a responsável, reconhecendo que um tal desfecho “seria extraordinariamente custoso e apresentaria grandes riscos”. “Mas isso faz parte das opções que estamos obrigados a ter em conta tecnicamente”, insistiu.

“Eles fizeram reformas importantes, fizeram um certo número de sacrifícios. Hoje, mandar tudo passear por causa de um desacordo político profundo é verdadeiramente muito penalizador para o povo grego. Espero que seja encontrada uma solução de compromisso que permita avançar no respeito de um programa que, certamente, estaremos abertos a analisar à margem, não no fundamental”, concluiu Lagarde.
“Pânico”
À indefinição política soma-se, segundo o Presidente da Grécia, o risco de “pânico” no sistema bancário. O aviso de Karolos Papoulias era ontem reproduzido numa transcrição das atas das reuniões com os partidos divulgada pelo seu gabinete. A justificar a preocupação estão os números relativos aos levantamentos de depósitos dos bancos gregos, que, na segunda-feira, véspera da derradeira ronda de negociações, atingiram os 700 milhões de euros.

Papoulias revelou ter recebido do governador do Banco da Grécia, George Provopoulos, a indicação de que “a situação dos bancos” era “muito difícil” e de que todo o sistema estava “muito débil”. Os levantamentos bancários, assinalou o Presidente grego, “atingiram a soma de 700 milhões de euros até às 16h00 de segunda-feira”. Dinheiro que está a ser canalizado para a dívida alemã.

Antecipando que esta situação venha a ser “pior nos próximos dias”, Karolos Papoulias voltaria a citar o governador do Banco da Grécia: “O senhor Provopoulos disse-me que é claro que não há pânico, mas há um grande receio que se pode transformar em pânico”.
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